Diário Em Dois Tons

Saturday, July 29, 2006


Tudo era tão normal. As coisas sempre em equilíbrio. Agora uma mistura tenra de angustia e falta. Algo que... Específico talvez. Que preencha e faça arder como a primeira fogueira. Uma necessidade, sem descrição, do tamanho desespero interno. Uma vontade de sorrir e de chorar. Gritar pra talvez assim isso que me falta me ouvir. Quero o simples, que não é nada que vá faltar a ninguém. Mas nisso vou ficando e vivendo no escuro. Ele me enfeitiça.

As redundâncias da vida entendidas já sobram. As metas já se atingem por si só. As margens já não mais fazem seu dever; já não mais mudam. Nem me mudam. A cada instante tento fugir mais e mais, mas pra fora de mim. Pois já me entendi por intermédio de mim mesmo. E das situações experimentadas e por mim retraídas. O que me sustenta nessa escassa rotina diária de se entende é um algo que me impulsiona a atravessar o tempo. Pois em algum lugar do tempo sei que encontrarei o faltado. Em algum lugar do tempo. Por enquanto vou vivendo tenramente. Cada dia... Esperando o dia em que viverei junto. Um dia, juntos.

Tuesday, June 20, 2006

IDILIO DA INFÂNCIA

Quando se é criança se vê as coisas de uma certa forma fantásticas. Sempre falam que as crianças usam muito o porquê, mas na verdade são os adultos que não sobrevivem sem ele. Lembro bem: quando tinha mais ou menos sete anos de idade jogava pedras no rio e nunca me veio a preocupação de saber o porquê que elas deslizavam ou afundavam, apenas as contemplava, e junto com isso as ondas que cada uma formava. Agora aos vinte e dois preciso entender a lei da gravidade, ou das massas. E os encontros e desencontros que também não importavam quando iriam acontecer. Eu nem os esperava. Sem falar das Viagens nas mais incríveis fantasias com apenas uma boneca na mão. Simples boneca que nem parecia sem vida. Nada importava. Se me arrancavam essa boneca, eu gritava, berrava, chorava. Aos vinte e dois, eu compro bonecas e presenteio crianças como era eu. Mãe reclamava dos meus porquês, na verdade não eram de exceder, eles faltavam. Aos vinte e dois anos eles excedem! Meus mais belos planos e projetos foram esquecidos, e se os lembro, morro de rir; e me pergunto, como pude imaginar isso? --- Uma coisa é certa, se tivesse chance de voltar, sem sentir, eu voltaria a ter apenas sete anos. Queria as mesmas responsabilidades e pensamentos. As mesmas despedidas, que em nada se pareciam com as de hoje.

Thursday, May 25, 2006

ALGUM LUGAR NO TEMPO


Tudo era tão normal. As coisas sempre em equilíbrio. Agora uma mistura tenra de angustia e falta. Algo que... Específico talvez. Que preencha e faça arder como a primeira fogueira. Uma necessidade, sem descrição, do tamanho desespero interno. Uma vontade de sorrir e de chorar. Gritar pra talvez assim isso que me falta me ouvir. Quero o simples, que não é nada que vá faltar a ninguém. Mas nisso vou ficando e vivendo no escuro. Ele me enfeitiça.
As redundâncias da vida entendidas já sobram. As metas já se atingem por si só. As margens já não mais fazem seu dever; já não mais mudam. Nem me mudam. A cada instante tento fugir mais e mais, mas pra fora de mim. Pois já me entendi por intermédio de mim mesmo. E das situações experimentadas e por mim retraídas. O que me sustenta nessa escassa rotina diária de se entende é um algo que me impulsiona a atravessar o tempo. Pois em algum lugar do tempo sei que encontrarei o faltado. Em algum lugar do tempo. Por enquanto vou vivendo tenramente. Cada dia... Esperando o dia em que viverei junto. Um dia, juntos.

Monday, May 22, 2006

INSTINTO VERDADEIRO


Nasceu algo bem aqui
Não sei se de mim
Ou se de ti.
Que faz um bem danado.
Que me devolveu a obrigação
Que não tive. Que...
Pensaram me dar,
E me deram.
Hoje,
Mesmo sem cobrar
Eu revelo.
Esconder não é nada que eu quero.
O sentimento não existe
E nem penso ter a pretensão
De ter.
Não sei se fiz,
Ou se fizeram.
Sou alguém de hoje.
Consigo me ter.
Sei sentir o cheiro da carcaça.
Que em pudor
Intranhada em mim
Consome o meu espelho
Fazendo refletir
Em esculachos, em esqueletos
Meu pó real.
Que de agruras verdadeiros
Me consome por inteiro.
Mostrando aos corriqueiros instintos
Como meu corpo passageio
Passeia pelo mundo
Escavando nuances
Que de corpos sem pelo
Venha encher
Meu corpo corriqueiro
De desejos mal caprichados
Que dois corpos em desespero
Acham o tempo exato
No mundo instinto passageiro
De agrado fisico verdadeiro
Agradeça assim:
- Obrigado pelo desespero derramado em meu peito.

Friday, May 19, 2006

AGORA



E não quero nada que me faça
Lembrar ou esquecer.
Quero nesse momento apenas
Ser.
Coisas meio que antigas vem a mim,
Começam aparecer.
- Nada ido, nunca me atraiu;
Só traiu.
Espero que nada venha acontecer.
Nesse momento quero apenas ser.
Nada de me apaixonar,
Ou esquecer.
Meu corpo é forte, sim.
Mas tudo pode acontecer.
Não quero nem preciso de nada
Que me faça lembrar e
Tão pouco escrever.
Só preciso relembrar; nada mais,

Pra minha vida poder acontecer.

Thursday, May 04, 2006

QUEM?


Quem me pariu?
Será que vive sobre a sombra de algum pensamento corriqueiro? Será que é vista como a mãe do Judas?
Ou será que quem me pariu tem consigo todas as virtudes que herdei?
Quem é essa coisa que me pariu? Que me teve sem a mínima obrigação de me ter?
Essa que me pariu é somente e apenas a alma de cada coisa que acontece em mim?
Ou quem me pariu me teve como o cuspe que escarro toda manhã?
Foi de impulso que me pariu?
Era possível não me ter?
Será que é santa?
Quem me pariu?

Saturday, December 24, 2005

JURO PELO MELHOR


Cadê os nóis?
Os pontos negros que definiam nós?
Estamos sós?
Ou meu tempo quem define sois vós?
De nada valeu meu penar?
E o meu nascer, meu danar?
Você quer ouvir? posso falar!
De nada adianta esconder,
Tão pouco tentar enganar;
A mim? À você?
A vida é bem mais que ser feliz!
É, bem, eu juro que é melhor.

Não nos deixe só!
Pense que Deus sou eu.
Não há mal nenhum tentar.
Só não te engana, que...
Isso eu também sei falar.
A vida é bem mais que ser feliz!
É, bem,eu juro que é melhor.

_________________________________________

L'AMANTE DU CHRIST
Bruno Courcelle

Tuesday, September 27, 2005

AQUELE AMOR


Muitas vezes não conseguimos ver o quanto somos felizes; o quanto trabalhamos pra isso. --- Muitas vezes, por medo do comodismo, preferimos acreditar que a felicidade nunca nos visitou; e no entanto somos nós que evitamos ter encontros com ela.
Felicidade é como um momento bom da vida que voa livre nos braços de alguém que a gente não pensa em deixar!
Sou tão feliz. Tão que chego a assustar-me quando me revelo fora do espelho, que é essa tortura chinesa. --- Observar o mundo não é ser feliz.
Ser feliz é não observar, mesmo tendo o dever de observar. --- Como é intenso o meu olhar.
Felicidade é ter aquele amor antigo, pouco falado e nunca esquecido. É um amor momentâneo, que vivemos sem nunca pensar em deixar.

Friday, September 23, 2005

UM PENSAMENTO POVOADO









SANTO

______________________________________________________

Eu esperava com minha escrita despertar em mim o desejo por mim mesmo. Sei que minha escrita além de ser cheia de agruras é muito povoada, a meio amarga pra não dizer que doce demais...
Às vezes me pergunto se conseguiria viver sem minha escrita; essa que tanto "lastimo"; e se for sincero comigo, a resposta será não!
O que escrevo de uma certa forma que desconheço me sustenta. Faz com que (mesmo com o intenso desencontro) eu me ache comigo mesmo.
Não é que goste de coisas secas, as molhadas são até mais fáceis. Mas é que mesmo sabendo e tendo consciência disso, eu não sei escrever algo que não saia de mim. Do que adiantaria eu escrever algo do tipo: "Era uma vez...", e nem de longe causar o trêmulo encontro comigo.
Eu escrevo não para que leiam apenas. Eu escrevo para me alertar; pra me fazer livre da obrigação de pensar.

Wednesday, September 21, 2005

DESPERTAR!


Resolver por fim.

Ir embora e deixar de mim só o que eu não puder viver mais.

Voltar à vida, pois preciso viver algo que ainda me falta.

Não quero mais brigas; nem que a maior delas seja com o despertador. Não! Eu não quero mais brigas!

Resolvi me mudar de mim para mim mesmo. --- Preciso resolver viver o que ainda me cabe. (pois ontem pude, por uns instantes, sentir a idade).

Vou embora pra meu passado, mas o viverei como um provável futuro.

Eita agonia miserável!!!

Preciso por fim reviver, coisas lindas, feias, pouco vividas por mim. Ainda me resta algum tempo; e nada tenho de tão, do que o meu tempo pra tentar.

Em breve partirei daqui; para aqui mesmo. E depois disso, nada, nada quero lembrar. E nunca mais usarei despertadores, para evitar briga e não precisar mais me mudar; tão pouco despertar!

____________________________________________________________

L' INSTANT DE MA MORT II - (Salvador Dali)